A Revolução Russa
“Guerra
Civil ou Revolução ocorre quando a Nação não mais se reconhece em seu Estado”.
(Ricardo Bergamini).
Sentimento de ódio contra a
tirania czarista e suas sangrentas repressões; deportações para a Sibéria;
crueldade das punições: cnute; fuzilamento de operários em 1905; despotismo da
aristocracia; condições de semi-escravidão dos camponeses; extrema corrupção e
incompetência do governo czarista.
Sacrifícios impostos pela I Guerra
Mundial; contínuas e desastrosas derrotas militares; propaganda revolucionária;
desorganização da máquina governamental; desorganização da economia nacional;
inflação, escassez de alimentos, miséria, caos.
Em dezembro de 1916 é assassinado
o tenebroso mistificador Raspútin, que tão nefasta influência exercera sobre a
supersticiosa czarina e sobre o regime.
A 8 de março e 1917 começam os
motins populares da chamada “Revolução de Fevereiro” (o calendário russo ainda
não era o gregoriano). O czar Nicolau II é forçado a abdicar. O antigo
parlamento (Duma) organiza um governo provisório, assim composto: 1° Ministro:
príncipe Lvov; Ministro do Exterior: professor Miliukov (“kadete”: liberal
moderado); Ministro da Justiça: o advogado Kerênski (deputado trabalhista).
Os demais ministros eram burgueses
liberais. Pretendiam transformar a autocracia czarista numa monarquia
constitucional, nos moldes da britânica. Por isso, proclamaram o
estabelecimento das liberdades civis, libertaram os presos políticos, abriram
as fronteiras aos exilados e começaram a organizar a eleição duma Assembléia
Constituinte.
Tendo o governo provisório
anunciado que pretendia continuar a guerra, forte oposição popular provoca a
demissão de Miliukov (maio). Organiza-se um novo governo de coligação, em que
são incluídos social-revolucionários (“essares”) e socialistas revisionistas
(moderados, “minimalistas” ou “mencheviques”). Ficam na oposição os marxistas
ortodoxos (radicais, “maximalistas” ou “bolcheviques”). Kerênski continua no
governo, agora como Ministro da Guerra. Pouco depois é o 1° Ministro
(julho). E, aos poucos, tenta instalar uma ditadura pessoal.
A 7 de novembro começa a “Revolução de Outubro”. Os bolcheviques já se achavam infiltrados nos sovietes (conselhos de operários, camponeses e soldados) e nas forças armadas. Chefiados por Lênin e Trótski, vencem em poucas horas e assumem o poder, proclamando a “ditadura do proletariado”.
No dia seguinte, 8 de novembro,
Lênin decreta a imediata distribuição das terras a todos os camponeses. A 27 de
novembro transfere para os operários o controle de todas as fábricas. Pouco
depois são nacionalizados os bancos e a maioria dos estabelecimentos
industriais. Em dezembro iniciam-se as conversações de paz com a Alemanha. Em
março de 1918 é assinado o tratado de paz de Brest-Litovsk.
A Guerra Civil e as Invasões
Estrangeiras (1918-1920)
O governo bolchevique foi
encarniçadamente combatido por diversos exércitos de russos brancos
(anticomunistas), auxiliados por forças estrangeiras (soldados alemães,
finlandeses, estonianos, lituanos, poloneses, tchecoslovacos, ingleses,
franceses, japoneses, norte-americanos).
Os massacres foram tremendos, de
lado a lado. Em fins de 1920, os russos brancos e os soldados estrangeiros
tinham sido definitivamente derrotados pelo exército vermelho.
De 1917 a 1921 – para a par com a
guerra civil – processou-se a fase crítica, chamada “bolchevismo de guerra”, de
caráter extremista: distribuição de víveres, em lugar de salários, e proibição
de todo comercio particular. Durante a guerra civil, o colapso econômico foi
enorme. A produção industrial caiu, em 1920, a 13% da cifra de 1913.
Em 1921 deu-se “um passo atrás”
com a instalação da Nep (nova economia política), que permitia a fabricação e o
comércio de particulares, mas em pequena escala e sob a vigilância do Estado.
Esta nova política esteve em vigor até 1928 – quando começaram os Planos
Qüinqüenais. Daí por diante, a manufatura e o comércio privado foram sendo
restringidos cada vez mais. Em 1939 estavam quase inteiramente abolidos.
Admitiram-se as diferenças de
salários, de acordo com o tipo de trabalho e o nível de produção. Mas continuou
proibida, rigorosamente, a exploração do homem pelo homem, assim como o lucro
imobiliário (aluguel, arrendamento), de modo a impossibilitar a acumulação de
capitais.
Em janeiro de 1924 morreu Lênin.
Lutaram, então, pelo poder – Stálin e Trótski. Este foi derrotado e acabou
sendo expulso do país. Trótski foi assassinado em 1940, no México.
O
autor é Professor de Economia. rberga@tutopia.com.br