Conseqüências da I Guerra Mundial

 

 

“Antes mesmo do debate da reforma da previdência, no Congresso Nacional, o Judiciário já deu o seu veredicto publicamente. No Brasil chamam essa lixeira de democracia”. (Ricardo Bergamini)

 

 

Ricardo Bergamini

 

 

Humanas

 

10 milhões de soldados mortos; mais de 3 milhões de soldados feridos, mutilados e inválidos; mais de 10 milhões de civis mortos (por bombardeios, massacres, fome, epidemias).

 

Econômicas e Culturais

 

Cidades e povoações foram arrasadas. Destruição de fábricas, usinas, pontes, estradas de ferro, documentos, obras de arte. Ruína dos campos. Desorganização da indústria e da economia agrária. As perdas e danos são difíceis de calcular. Só da parte dos aliados, o prejuízo econômico seria superior, talvez, a 20 bilhões de dólares (a Comissão de Reparações pretendia, da Alemanha, uma indenização de 33 bilhões de dólares). As despesas militares, porém, foram muitíssimas mais elevadas. Só a Itália gastou mais de 15 bilhões de dólares.

 

Inflação catastrófica na Alemanha. Crises financeiras em muitos países. Pobreza. Racionalização e regulamentação do trabalho assalariado. Desenvolvimento da agricultura. Concentração de empresas industriais. Predomínio da indústria e do capitalismo norte-americano.

 

O impacto nas artes: cubismo, futurismo, dadaísmo, etc. Literatura antiguerreira (R. Rolland, H. Barbusse, E.M. Remarque).

 

Sociais

 

Agitações e desordem. Aviltamento e confusão dos padrões morais. Materialismo; avidez de lucros e do gozo da vida. Progressos do feminismo. Reivindicações das massas.

 

Políticas

 

Destruição dos impérios centrais. Revolução russa; comunismo. Advento do fascismo e do nazismo. Herança de ódio nos países vencidos, anseios de “revanche” e de vingança. Extremismos, ditaduras. Exacerbação do militarismo. Aspirações e lutas de libertação por parte dos povos submetidos à colonização ou ao imperialismo econômico. Difusão e incremento das idéias socialistas.

 

Criação de novos países: Na Europa - Polônia, Lituânia, Estônia, Finlândia (desmembradas da Rússia czarista). Tchecoslováquia (Boêmia, Morávia e Eslováquia). Iugoslávia (Sérvia, Montenegro, Croácia, Eslovênia, Bósnia, Herzegovina e parte da Macedônia). Na Ásia – Iraque (Mesopotâmia), Síria, Palestina, Hedjaz.

 

A Conferência de Versalhes

 

Os termos de paz não foram negociados: foram infligidos como um castigo. Não houve um acordo com os vencidos, mas uma sentença imposta pelos vencedores (como fizera a Prússia, em 1871).

 

A conferência interaliada de paz realizou-se em Paris (janeiro a junho de 1919). Assistiram a ela delegados de 32 países aliados, mas as questões essenciais foram resolvidas pelos “Três Grandes”: Wilson (USA), Clemenceau (França) e Lloyd George (Grã-Bretanha).

 

Dos diversos tratados assinados, o mais importante foi o de Versalhes, que estabeleceu a paz com a Alemanha (28 de junho de 1919).

 

Disposições do Tratado de Versalhes

 

Internacionais: criava a Liga (ou Sociedade) das Nações.

 

Territoriais: a Alemanha devia restituir a Alsácia-Loren à França; Eupen e Malmedy à Bélgica; o norte de Schleswig à Dinamarca; a maior parte da Posnânia e da Prússia Ocidental à Polônia; o porto de Memel à Lituânia. Danzig tornava-se cidade livre, sob a administração da Liga. As minas de carvão do Sarre ficavam com a França durante 14 anos. Em diversas regiões seriam realizados plebiscitos, a fim de que as populações decidissem a que países desejavam pertencer.

 

Econômico-financeiro: a Alemanha deveria pagar pesadíssima indenização de guerra (que afinal não foi paga) e entregar quase toda a frota mercante.

 

Políticas: A Alemanha seria desmilitarizada, destruída as fortificações, suprimida a aviação militar, reduzido o exército a 100 mil homens. Deveria ser entregue a esquadra de guerra (mas foi afundada pelos próprios alemães).

 

Tratados Secundários de Paz

 

Tratado de Saint-Germain (1919), com a Áustria, que ficou reduzida às regiões de população alemã. A Áustria devia reconhecer a independência da Hungria, Iugoslávia, Tchecoslováquia, às quais cedia muitos territórios. Devia entregar à Itália: Trieste, o sul do Tirol, o Trentino e a península da Ístria.

 

Tratado de Neuilly (1919), com a Bulgária, que perdeu quase todo o território ganho na 1° guerra balcânica – em favor da Grécia, da Romênia e da Iugoslávia.

 

Tratado de Trianon (1920), com a Hungria. A Eslováquia era cedida para formar parte da Tchecoslováquia; a Transilvânia passava ao poder da Romênia; a Croácia e a Eslovênia eram entregues à Iugoslávia.

 

Tratado de Sèvres (1920), com a Turquia. O tratado, porém, não foi reconhecido pelo governo revolucionário (nacionalistas turcos, liderados por Kemal Ataturk). Elaborou-se, então, um novo tratado: de Lausanne, na Suíça (1923). A Síria se tornava um mandato francês; o Iraque e a Palestina, mandatos britânicos.

 

 

 

 

 

O autor é Professor de Economia. rberga@tutopia.com.br

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