Os
filósofos da Ilustração.
“O grande risco do programa ‘Fome Zero’ será no futuro o da ‘Obesidade Mórbida’ da população brasileira”. (Ricardo Bergamini).
Ricardo
Bergamini
Montesquieu
O barão de Montesquieu (1689-1755), francês, é o autor das Cartas
Persas (1721), sátira política, social e religiosa de toda a sociedade
francesa.
Sua obra-mestra - “O espírito das Leis” (1748) -, meditada e
preparada durante vinte anos, é um monumento de filosofia política. Nela
analisa todas as formas de governo, louva o sistema inglês (monarquia
constitucional e parlamentar) e prescreve a absoluta necessidade da separação
das funções do Estado em três poderes diferentes e independentes: executivo,
legislativo e judiciário.
Voltaire
François-Marie Arouet (1694-1778), mais conhecido pelo nome de
Voltaire – constitui a personagem mais relevante da Ilustração.
Por causa de uns escritos satíricos, é exilado a Sully-sur-Loire
e, depois encarcerado na Bastilha. Em 1726 é desterrado à Inglaterra, onde
permanece três anos. Como Montesquieu, Voltaire ficou impressionado com a
liberdade política dos ingleses, com seu progresso científico e a importância
social aos sábios e aos homens de letras. De volta à França, publicou as
“Cartas Filosóficas” nas quais:
- Louva o regime liberal inglês e afirma a sua superioridade no
governo, no comércio e na religião;
- Expõe as doutrinas de Locke;
- Ataca a autoridade absoluta e despótica do rei da França, a
arbitrariedade, a intolerância religiosa e a autoridade do clero.
O livro foi considerado subversivo: “cartas escandalosas e
contrárias à religião e aos bons costumes”. Condenado, Voltaire fugiu para não
ser encarcerado novamente. O livro foi queimado, pelo carrasco, em praça
pública.
Foi acérrimo defensor da liberdade individual. Achava brutal e
odiosa toda restrição à liberdade de opinião e de expressão. Numa carta a um
seu adversário escreveu a frase que costuma citar-se como o símbolo da suprema
tolerância intelectual, do respeito democrático à opinião alheia: “Não concordo
com uma só palavra sequer do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso
direito de dize-lo”.
A repressão que Voltaire mais odiava era a da tirania organizada
pela religião. Explodia a sua indignação contra a “monstruosa crueldade da
igreja”, que torturava e queimava homens bons, honestos e inteligentes, por
terem ousado duvidar dos seus dogmas.
Rousseau
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), suíço-françês, natural de
Genebra, filho de artesão, foi um indivíduo desajustado, de psiquismo doentio,
de espírito melancólico, sonhador e sentimental. Influiu muito no romantismo,
na Ilustração, nas novas teorias pedagógicas e na Revolução Francesa.
Rousseau
expôs suas idéias no “Discurso sobre a origem da desigualdade” (1755) e na sua
obra-mestra, o “Contrato Social“ (1762). Todos os homens são livres e iguais;
mas a vida social se baseia num contrato e cada um dos contratantes priva-se da
sua liberdade e compromete-se se submeter ao interesse e à vontade da maioria.
Para
Rousseau o coração, não o cérebro; eis o verdadeiro caminho da natureza. Ele
conduz mais certeiramente à felicidade, do que as lucubrações frias e
artificiais do intelecto. “O homem que pensa, diz Rousseau, é um animal
depravado”.
-
Exaltou a liberdade individual;
-
Condenou a propriedade privada como causa essencial da miséria da sociedade
humana;
-
Pregou a igualdade das massas e proclamou o povo “único soberano”;
-
Glorificou a vida do “bom selvagem”, cuja liberdade e inocência de homem
primitivo contrastavam com o despotismo, a fraqueza e a corrupção da sociedade
“civilizada”;
-
Apregoou a volta à natureza;
No
seu romance filosófico-pedagógico Emílio (ou Da Educação), afirmou que o homem
nasce bom, mas é a educação da sociedade que o torna mau.
Quanto
à filosofia política de Rousseau, ela tem sido, certamente, a suprema
inspiradora do moderno ideal de democracia.
O
autor é Professor de Economia. rberga@tutopia.com.br