A
Doutrina Marxista
“No Brasil, até mesmo a
masturbação mental ideológica é, uma reserva de mercado, monopolizada por
poucos iluminados”. (Ricardo Bergamini).
O socialismo marxista é
determinista e pretende ser científico. Seus pontos essenciais residem na
concepção sociológica (materialismo histórico e luta de classes) e na concepção
econômica (a mais-valia e a evolução socialista).
Materialismo Histórico
O modo de produção e de troca é
base de toda a estrutura social. E a economia é o fator fundamental no
desenvolvimento da História. Todos os acontecimentos políticos, sociais e
intelectuais – são, pois, determinados por fatos materiais, sobretudo
econômicos (as relações de produção e troca entre os homens). Não é a
filosofia, portanto, mas a economia de cada época a causa de todas as mudanças
sociais e de todas as revoluções políticas.
Assim, por exemplo, as Cruzadas, A
Reforma Protestante, a Independência Norte-americana, a Revolução Francesa –
foram, na essência, movimentos econômicos, materialistas.
A Luta de Classes
A luta de classes é uma fatalidade
histórica (senhores x escravos; patrícios romanos x plebeus; barões x servos;
nobreza feudal x burguesia; capitalismo x proletariado).
A Doutrina da Mais–Valia
Só o trabalho cria riqueza. O
capital nada cria; ele próprio é criado pelo trabalho. Mas o trabalhador não
recebe o total da sua produção. Há uma diferença entre o que ele recebe e o que
ele produz; entre o salário comum ou custo da capacidade de trabalho (o
suficiente para a manutenção e reprodução do trabalhador) e o valor criado (ou
acrescido) pelo trabalho. Essa diferença, da qual se apropria o capitalista, é
a mais-valia.
O valor do produto não se acha,
pois, em relação direta com o número de horas de “trabalho congelado”. O que
importa, no produto, é sua utilidade e as horas de trabalho socialmente
necessárias. E o fato básico do capitalismo é, justamente, essa brecha enorme e
inevitável entre o salário comum e o valor criado pelo trabalho.
Não se trata, apenas, da
exploração e da injustiça. Há algo mais importante: a mais-valia é a chave que
abre as portas de um mundo melhor. A mais-valia (que moralmente, pertence ao
trabalhador) acabará destruindo o próprio regime capitalista. O trabalhador não ganha bastante para
comprar todo o equivalente ao que ele produz. Logo, os artigos de consumo se
acumularão e não encontrarão compradores. A superprodução provocará depressões;
estas produzirão a miséria; e esta por sua vez, as revoluções.
Materialismo Dialético e Evolução
Socialista
Cada sistema econômico
desenvolve-se até atingir um ponto máximo de eficiência. Logo após começa a
decompor-se (contradições e fraquezas internas) e acaba sendo vencido por um
sistema oposto, que lhe assimila as qualidades positivas – e o substitui. A
atual sociedade capitalista é o resultado de uma evolução gradativa,
caracterizada pela luta de classes. A sociedade capitalista transformar-se-á,
fatalmente (determinismo histórico), numa sociedade socialista. A fase
socialista – após a eliminação do capitalismo – terá três características:
- Ditadura do proletariado;
remuneração de acordo com o trabalho realizado; posse e administração, pelo
Estado, de todos os meios de produção, distribuição e troca.
O socialismo será, porém transição
para uma etapa superior; o comunismo – meta final da evolução histórica. Neste
processo dinâmico da História, a vitória final pertencerá, pois, ao comunismo.
Depois continuará havendo mudanças, mas será sempre dentro dos limites do
regime comunista.
Esses – os pontos essenciais do
pensamento marxista.
1) Lei de acumulação crescente dos
capitais - Que obedece à seguinte fórmula: d-m=d’, onde d = dinheiro aplicado
pelo capitalista; m = custo total da mercadoria e d’ = dinheiro aplicado +
mais-valia.
Assim, pois, quanto maior o número
de operários, tanto maior o número de mais-valias e o montante da “apropriação
indébita do valor-trabalho”.
2) Lei da concentração capitalista - Os ricos ficarão cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres. As classes médias serão proletarizadas. As empresas, cada vez mais amplas (trustes, cartéis, etc), ficarão em número cada vez mais reduzido de proprietários.
3) Lei da expropriação automática
- Chegará o dia em que, pela revolução social – ou mesmo pacificamente, pela
pressão social e mediante umas simples assinaturas – todas as empresas passarão
das mãos dos seus poucos acionistas-capitalistas para as da ditadura do
proletariado. Para Marx isto é certo, automático e inevitável.
O
autor é Professor de Economia. rberga@tutopia.com.br