Primórdios
da Revolução Francesa
“No Brasil basta ler o prefácio de
um livro, pagar uma agência de propaganda, e será transformado em um gênio”.
(Ricardo Bergamini).
Em 1774 morreu Luís XV e subiu ao trono seu neto, Luís XVI, com apenas vinte anos de idade. Era bem intencionado, mas tímido, ignorante e pouco inteligente. Suas ocupações prediletas eram a caça e a serralharia.
No desejo de melhorar a situação
do país (recuperar as finanças e favorecer o povo), Luís XVI escolheu bons ministros:
o magistrado Malesherbes e o economista Turgot, partidários das novas idéias.
Mas a oposição de certos privilegiados (nobres e banqueiros, feridos nos seus
interesses) e da rainha Maria Antonieta da Áustria (que não admitia a
diminuição das despesas na Corte) – forçaram a demissão de Turgot (1776). Pouco
mais tarde, Malesherbes também se viu obrigado a renunciar.
Logo após, Luís XVI chamou Necker,
rico banqueiro de Genebra, famoso como financista. Perseguido pelo ódio da
Corte, Necker caiu, após exercer durante cinco anos o Ministério das Finanças
(1776-1781). Enquanto isso, o déficit continuava a crescer perigosamente. A
dívida pública tinha-se avolumado, mais ainda, com as despesas da guerra contra
a Inglaterra (em apoio às colônias norte-americanas).
A oposição sistemática às
reformas, por parte dos Parlamentos (tribunais judiciários privilegiados, de
cargos hereditários), fez com que se convocasse uma Assembléia de Notáveis (140
membros). Ela se reuniu em 1787, mas inutilmente. “Os nobres e os bispos
recusaram desfazer-se dos seus privilégios de isenção de pagamento de
impostos”. O primeiro ministro (Calonne) foi destituído e “os Notáveis se
separaram sem ter feito outra coisa a não se aumentar a confusão dos
espíritos”.
Em agosto de 1788, Luís XVI
resolveu atender ao clamor geral: seu primeiro ministro (Loménie de Brienne)
anunciou a convocação dos Estados Gerais, para o 1° de maio
de 1789. Nesse ínterim, perante a gravidade da situação (o Tesouro vazio e o
governo na iminência da bancarrota), o rei tornou a chamar Necker, que
conseguiu atenuara crise.
A 1° de janeiro de 1789, “como presente de Ano Bom para a
França”, Necker confirmou a convocação dos Estados Gerais, com a duplicação do
Terceiro Estado. Não se sabia, porém, se o voto seria por cabeça – ou por
classes.
Foram eleitos 935 deputados, assim
distribuídos: Clero (247); Nobreza (188) e Terceiro Estado (500).
Em 5 de maio de 1789 é feita a
sessão solene de abertura. O rei e Necker fazem discursos decepcionantes. Após
a sessão, o Terceiro Estado convida as outras duas classes a se reunirem numa
única Assembléia (o que implicaria na aceitação do voto por cabeça, com maioria
absoluta, portanto, para o Terceiro Estado). A nobreza rejeita categoricamente
o convite. Alguns párocos aderem, mas o resto do Clero vacila.
Em 17 de junho de 1789 os
deputados do Terceiro Estado, alegando representarem 96% da nação, proclamam-se
Assembléia Nacional.
Começava a Revolução.
O
autor é Professor de Economia. rberga@tutopia.com.br