DEMOCRACIA MEIA-SOLA
A pessoa humana
é o único valor, a felicidade das pessoas é o único
fim em si. Mas acrescentemos,
que o Estado esta figura jurídica abstrata encarnada em instituições,
em administrações, em regulamentos - é um meio necessário
à realização das aspirações individuais.
É preciso uma autoridade para proteger a liberdade de cada indivíduo
contra possíveis usurpações injustificadas de outro.
O Estado perde toda justificação se deixa de ser o meio de
desenvolver as liberdades dos indivíduos e pretende se impor como fim
supremo. Eis o que bem viu Rousseau, cujo "Contrato Social"
pode ser considerado como a "carta magna de toda Democracia. O Estado
não tem outro fim senão o de promover e garantir (bem longe
de destruir) a liberdade e igualdade às quais os indivíduos
têm totalmente direito. Encontrar uma forma de associação
que defenda e proteja contra toda força comum, a pessoa e os bens de
cada associado, e pelo qual, cada um dos membros unindo-se a todos, não
obedeça mais do que a si mesmo e fique também mais livre que
antes, tal é o problema fundamental, do qual o contrato social oferece
a solução.
Nessa perspectiva democrática,
o Estado deixa de ser apenas uma transcendência. "O soberano, não
sendo formado senão dos particulares que compõem, não
pode ter interesses contrários aos destes". A lei não aliena
a liberdade, pois ela decorre da própria vontade dos indivíduos
"A obediência à lei que foi prescrita por nós mesmo
é liberdade".
Mas como conceber que as vontades
particulares diversas, muitas vezes opostas, dos indivíduos, se possam
exprimir em uma lei comum? É aqui que intervém o contrato, o
pacto pelo qual cada um se compromete com todos a não reconhecer outra
autoridade além da vontade geral. A vontade geral é aquela que
faz abstração dos interesses divergentes, das paixões
de cada um, para não cuidar senão do bem comum. Sem dúvida,
"cada indivíduo pode, como homem, ter uma vontade particular
contrária ou dissidente da vontade geral que tem como cidadão".
Mas a vontade geral não é uma força exterior a cada um
de nós, pois ela não é nada mais que a regra da razão,
aceita de comum acordo pelos membros do grupo, mas que cada um descobre em
si mesmo, quando afasta seus desejos egoístas no "silêncio
das paixões". "O impulso das paixões é a
verdadeira escravidão, e constranger um homem a obedecer à vontade
geral é submetê-lo à sua própria razão e,
assim, forçá-lo a ser livre".
A vontade geral pode, facilmente, depreender-se nos debates do povo reunido,
pois os homens têm interesses comuns. Sem dúvida, como disse
muito bem Rousseau, é a oposição dos interesses particulares
que torna "necessário" o contrato, mas é o acordo
destes mesmos interesses que o torna "possível". E Rousseau
acrescenta: "Retirai as vontades particulares, os mais e os menos que
se destroem mutuamente, e restará como soma das diferenças a
vontade geral". Como enfrentando, a vontade geral não poderia
ser, a todo instante, a vontade universal, como se encontrará sempre
algum cidadão que não esteja de acordo com a lei proposta, combina-se
tomar como vontade geral a da maioria. A liberdade da minoria não
é, portanto, alienada, pois podemos considerar que é por unanimidade
que os indivíduos decidiram se submeter às vontades da maioria.
Tal é, pelo menos, o postulado de toda democracia. Aliás,
o desejo de Rousseau de não opor o Estado aos indivíduos é
tão grande, que ele não admite que o povo possa alienar sua
liberdade submetendo-se, cegamente, às decisões dos deputados
eleitos livremente por eles É sempre necessário, segundo Rousseau,
que as leis propostas pelos representantes do povo sejam ratificadas por um
"referendum" do próprio povo.
O regime democrático, entretanto, deu lugar a diversas críticas.
O princípio da igualdade política, diz-se correntemente, submete
o governo à opinião pública, isto é, a uma massa
ingênua de pessoas que nada entendem acerca das atividades do Estado.
Nesse caso, democracia seria então "a tirania da incompetência".
De fato, é a classe social dominante que é sempre senhora da
informação, e que, através de seus jornais, dirige a
opinião pública (um jornal representa investimentos consideráveis,
a liberdade de imprensa permanece teórica, pois é preciso muito
dinheiro para fundar um jornal e, de fato, a esmagadora maioria dos grandes
jornais, pertencem às forças do dinheiro). Mas concordaremos
em que confiar o cuidado das atividades publicas a uma "elite" não
é a melhor solução Esta elite também pode representar
nada mais que uma classe social privilegiada, cujos interesses particulares
não coincidem, necessariamente, com o bem comum. A verdadeira solução
está na "educação do povo", no incremento da
instrução, da cultura que desenvolve o espírito crítico.
Por ela, e somente por ela, os indivíduos se tornam, cada vez mais,
dignos do regime democrático.
Com isso caberia questionar aos atuais dono do Poder Público no Brasil,
até quando os senhores resistirão mantendo o falso Poder do
Estado brasileiro atual, falido, perdulário, corrupto, o qual denomino
de "Democracia Meia-Sola", infernizando uma Nação,
em sua grande maioria, digna e sofredora, apenas pelo egoísmo de uma
elite decadente e corrupta, defendendo um Estado moribundo, sem projetos,
decadente e fascista. Um Estado, com total inversão de valores, tendo
a coragem e cinismo de levar ao Congresso Nacional um matador confesso, com
mais de vinte crimes de assassinato, conhecido como "Chapéu de
Couro", servindo de testemunha contra um outro criminoso, ex-deputado
Hidelbrando (vulgo sexta-feira 13). Ou, ao confessarem publicamente que contra
os crimes financeiros dos especuladores, somente um especulador como o Sr.
Armínio Fraga seria tecnicamente eficiente no combate, utilizando a
seguinte comparação: "somente o veneno da cobra seria capaz
de salvar um paciente de sua picada".
Do jeito que a lógica corrupta vai dominando o pensamento da maioria,
não tenham dúvidas, o Ministério da Justiça, dentro
em breve, poderá ser exercido por um dos principais traficantes de
tóxicos. Dentro da mesma lógica, em breve, corruptos da Previdência,
tais como: Jorgina de Freitas e Wilson Escócia da Veiga, poderão
vir a ser Ministro da Previdência e Assistência Social, e Sérgio
Naya, Ministro da Indústria e Comércio.
Que fim essa Democracia Meia-Sola Brasileira poderia esperar, quando em
1997 o presidente Sr. FHC, vendendo sua alma ao diabo, ao comprar o
Congresso para aprovar uma emenda inconstitucional permitindo sua ilegítima
reeleição? A partir daí, FHC refém da sua própria
vaidade, foi obrigado à fechar os olhos à orgia de gastos praticadas
pelos governadores, gastando além dos limites, para ganharem eleições
locais. Campanhas para reeleições extravagantes, levando alguns
já endividados estados para a insolvência total. Sendo posteriormente,
o governo federal, obrigado à renegociar uma dívida em torno
de R$ 200,0 bilhões, com os referidos governadores.
E para finalizar, caberia apenas uma pergunta aos meus amigos e irmãos:
Seria com base na lixeira da "Legislação Eleitoral"
vigente, que alguns ingênuos brasileiros acreditam sermos um país
democrático? Se seria, abaixo a democracia brasileira já!!!
Florianópolis, 28 de Junho de 2000 - Ricardo Bergamini