Brasil:
País do passado.
“Nos governos ditos
militares noventa e cinco por cento de seus membros eram civis”. (Ricardo
Bergamini).
Os primeiros anos do decênio de
1960, com o meteórico Governo Jânio Quadros e com a desordenada administração
do Governo João Goulart representaram completo retrocesso no modelo brasileiro
de desenvolvimento. As taxas de crescimento do produto real caíram de 10,3% em
1961 para 6,3% em 1962 e 1,5% em 1963. A desordem fiscal, monetária e salarial
elevou a taxa de inflação para 80% em 1963, ameaçando ultrapassar a casa dos
100% em 1964, a julgar pelas tendências do primeiro semestre. O balanço de
pagamentos entrou em colapso, com o acúmulo de dívidas de curto prazo, atrasos
comerciais, e com o desestímulo às exportações e ingressos de capitais
estrangeiros. Os investimentos nacionais e alienígenas se retraíram apavorados
diante das sucessivas ameaças de estatização e de confisco. Foi nesse quadro de
caos econômico e social que adveio a “Revolução de Março de 1964”, a qual iria
implantar uma nova filosofia de política econômica, cujos resultados, em
matéria de crescimento, iriam explicitar-se a partir de 1968.
As dificuldades herdadas eram de tal ordem que o Governo Castello Branco teria que aceitar a dura tarefa de plantar muito para colher pouco. O combate à inflação se impunha, naturalmente, como prioridade cronológica da política econômica. Contudo esse objetivo era necessário trazer à realidade os preços reprimidos no passado, e desvalorizar violentamente a taxa de câmbio a fim de restabelecer o equilíbrio do balanço de pagamentos. Contudo, era necessário alicerçá-lo com profundas reformas de estrutura legislativa e do sistema fiscal, as quais não poderiam ser implantadas sem apreciáveis dores de transição.
Em tais condições, o
governo teve que impor uma política monetária e fiscal bastante severa, a qual
não se podia compatibilizar com a obtenção de altas taxas de crescimento do
produto real em curto prazo. De fato, entre 1964 e 1967, essas taxas se limitaram
à média de 3,7% ao ano, o que se deve considerar um desempenho medíocre cuja
população crescia à média anual de 2,9%. O importante, porém, é que o governo
Castello Branco aceitou a tarefa dura e indispensável de construir as fundações
para uma futura fase dourada de crescimento.
As grandes conquistas do período 1964/1967 foram o declínio substantivo da taxa de inflação, a restauração do crédito e do balanço de pagamentos, e a promulgação de amplas reformas institucionais em prol do desenvolvimento.
E como previsto a partir de 1968 o produto real já crescia a taxa de 9,3%; de 9,0% em 1969; de 9,5% em 1970; de 13,3% em 1971, de 10,4% em 1972 e de 10,0% em 1973. Acumulando uma média histórica de 6,22% ao ano no período que vai de 1964 até 1984, contra a medíocre média de 2,59% ao ano, após instalação da “Democracia Meia-Sola”, a partir de 1985 até o ano de 2002.
Em economia não existe milagre: “Somente conhecendo e respeitando a verdade absoluta dos números uma nação se torna verdadeiramente livre”.
Para finalizar cabe apenas
fazer a pergunta dos ingênuos: Quando iremos formar o “Grupo dos Amigos da Órfã Nação Brasileira?”.
Avança Brasil!!!! (para o Abismo)
O
autor é Professor de Economia. rberga@tutopia.com.br
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