O manicômio
do déficit público no Brasil
Por deformação de origem cultural os brasileiros
sofrem de duas graves doenças sociais, quais sejam:
“A paixão está sempre acima da razão” e o “Desejo
está sempre acima da realidade”. Com essas duas distorções sociológicas está
formado o caldo de cultura para nossa eterna tragédia econômica, social e
política.
Pelos desvios citados passamos a criar chavões
simbólicos para sustentar as mudanças de “moscas”, tais como:
Nova República, Brasil Novo, Fiscal do Sarney, Caçador de Marajás, Avança
Brasil, Fome Zero, como se todas as nossas tragédias passada, em um passe de
mágica, pudessem ser apagadas com esses simbolismos que prometem sempre
mudanças radicais, sem nenhum compromisso com o nosso passado melancólico. É o
novo que está vindo: sem dívidas, sem desemprego, sem corrupção, sem o desastre
do balanço de pagamentos, sem os juros estratosféricos. Tudo foi zerado. É uma
nova era de prosperidade e progresso.
Em economia existe um axioma que diz: “A moeda má
expulsa a boa”, a qual poderíamos muito bem plagiar para o campo social,
político e econômico do Brasil, passando a ser: “O estúpido expulsa o
racional”.
Quem definiu da forma mais clara e inteligente a
nossa estupidez coletiva foi o mestre Olavo de Carvalho em seu artigo
intitulado "Cavalos mortos", publicado no jornal "O Globo"
do Rio de Janeiro, em sua edição de 17 de fevereiro de 2001, cujo artigo
completo está disponível em seu sítio www.olavodecarvalho.org.
Abaixo reproduzimos um belo parágrafo do mesmo:
"Meu amigo Andrei Pleshu, filósofo romeno,
resumia:” No Brasil, ninguém tem a obrigação de ser normal.”Se fosse só isso,
estaria bem. Esse é o Brasil tolerante, bonachão, que prefere o desleixo moral
ao risco da severidade injusta. Mas há no fundo dele um Brasil temível, o
Brasil do caos obrigatório, que rejeita a ordem, a clareza e a verdade como se
fossem pecados capitais. O Brasil onde ser normal não é só desnecessário: é
proibido. O Brasil onde você pode dizer que dois
mais dois são cinco, sete ou nove e meio, mas, se diz que são quatro, sente nos
olhares em torno o fogo do rancor ou o gelo do desprezo. Sobretudo se insiste
que pode provar”.
O acima colocado pode ser facilmente comprovado com
as colocações abaixo das excrescências econômicas geradas no governo FHC:
- Aumento criminoso da carga tributária de 27.90% do
PIB em 1994 para 36% do PIB previsto para o ano de 2002. Acréscimo real de
29,03% em relação ao ano de 1994
- Recebimento de investimentos externos líquidos da
ordem de US$ 189,2 bilhões
Apesar do acima colocado deixa o Brasil com diversas
bombas de efeito retardado que explodirão em breve, quais sejam:
O monstruoso déficit público nominal.
- No período de janeiro/95 a novembro/02 o governo
FHC obteve uma receita total de 25,60% do PIB (tributárias, contribuições e
capitais), tendo aplicado 29,53% como segue: 13,17% (Administração Financeira);
6,78% (Previdência Social); 2,00% (Saúde); 1,84% (Defesa); 1,39% (Educação);
0,93% (Empregos), e 3,42% com as demais atividades, gerando déficit fiscal nominal de 3,93% do PIB.
O monstruoso estrangulamento do perfil de gastos.
- Apenas com Administração Financeira (R$ 1.017,5
bilhões) e Previdência Social (R$ 523,1 bilhões) foram comprometidos 77,95% das
receitas totais do período no valor de R$ 1.976,5 bilhões
O monstruoso déficit público real.
- De janeiro de 2002 até novembro de 2002
houve superávit fiscal nominal de R$ 7,3 bilhões (0,59% do PIB), que
acrescido do aumento da dívida pública no ano de 2002 de R$ 243,0 bilhões (que
nada mais é do que déficit diferido), o déficit real até novembro de 2002 seria
de R$ 235,7 bilhões (19,08% do PIB).
Até quando continuaremos batendo
palmas para bêbados dançarem?
NOTA: Estudo completo ler
“Prestação de Contas do Governo FHC” disponível em nosso sítio abaixo
mencionado.
O
autor é Professor de Economia. rberga@tutopia.com.br
www.angelfire.com/sc3/ricardobergamini