O manicômio
da concentração de renda no Brasil
Se há um tema no Brasil onde existe unanimidade: é o
da concentração de renda. Nascemos ouvindo essa frase. Todos os organismos de
publicações estatísticas, tanto os nacionais, quanto os internacionais, não
deixam nenhuma dúvida sobre esse tema. Porém caberia uma única pergunta, não
respondida até hoje: Quem é o responsável e gerador da tal concentração? Sem
dúvida o “Estado Brasileiro” é o único e exclusivo responsável, como já
abordamos em artigos anteriores que não caberia repetir.
Vamos abordar nesse artigo um dos mais gritantes e
injustos geradores de concentração de renda existente no Brasil, qual seja: o
manicômio dos gastos públicos com pessoal chapa-branca, tanto federal,
estaduais e municipais, sendo que neste artigo iremos abordar apenas o federal,
um dos mais organizados. Quanto aos estaduais e municipais sugiro aos leitores
considerarem, pelo menos, dez vezes piores do que o que vamos abordar.
Antes de abordarmos o assunto na visão quantitativa
macroeconômica devemos ressalvar que conhecemos todas as injustiças existentes
entre os poderes (estudo completo solicitar ao autor),
onde o salário médio do Executivo é de R$ 2.746,00; do Judiciário de R$
5.449,00 e do Legislativo de R$ 6.102,00. Porém acreditamos que isso deveria
ser um debate interno dos membros dos poderes através de suas representações de
classes. No nosso caso pedimos a compressão dos injustiçados chapas-branca, mas
somente vamos abordar o problema na ótica do contribuinte.
- O gasto total com pessoal da União (diretos e
indiretos) migrou de R$ 35,8 bilhões em 1994 para R$ 65,4 bilhões em 2001.
Incremento de 82,68% em relação ao ano de 1994. Inflação no período pelo
IPCA de 78,31%. Ganho real de 2,45%.
- Com base nos gastos até novembro de 2002 podemos
projetar um custo total de R$ 74,5 bilhões para o ano de 2002. Incremento de
108,10% em relação ao ano de 1994. Inflação do IPCA no período de 99,71%. Ganho
real de 4,20%. O contingente ficou na média de dois milhões de funcionários no
período analisado.
- Considerando os três poderes da República, civis e
militares, com base nos gastos até novembro de 2002 o rendimento médio mês per
capita com pessoal ativo do governo federal foi de R$ 3.404,23, sendo a média
nacional dos trabalhadores formais nas atividades privadas de R$ 782,92 ou
seja: 334,81,% menor;
- Considerando os três poderes da República, civis e
militares, com base nos gastos até novembro de 2002 o rendimento médio mês per
capita com pessoal inativo (aposentadorias e pensões) foi de R$ 2.705,39, sendo
a média per capita dos inativos das atividades privadas de R$ 360,00 mensais,
651,50% menor.
- O rendimento médio mês per capita com pessoal da
União (diretos, indiretos,ativos, inativos, civis e militares), com base nos
gastos até novembro de 2002 foi de R$ 3.050,83.
A Universidade Federal de Santa Catarina, considerando apenas o corpo docente com um salário médio em torno de R$ 8 mil mensais, ficou em greve remunerada do dia 05 de agosto de 2001 até o dia 12 de janeiro de 2002, exatos 160 dias recebendo salários religiosamente, sem um dia de atraso.
Para finalizar devo acrescentar que
continuaremos ouvindo a cantilena dos chapas-branca, com todos os espaços dos
meios de comunicação disponíveis, afirmando estarem durante oito anos sem
aumentos de salários, com o silêncio e a conivência dos jornalistas e
economistas, visto que 99% dessas duas categorias somente conseguem empregos em
órgãos públicos. Nas empresas privadas terão empregos alternativos e
inferiores.
NOTA: Estudo completo ler “Prestação de Contas do Governo FHC” disponível em nosso sítio abaixo mencionado
O
autor é Professor de Economia. rberga@tutopia.com.br
www.angelfire.com/sc3/ricardobergamini