DESABAFO DE UM HUMILDE CIDADÃO BRASILEIRO
Tenho plena consciência
de minha exaustivamente luta em tentar congregar todos os amigos e irmãos
para uma luta comum, porém a cada dia que passa, após mais de
dois anos tentando desviar os debates para o verdadeiro centro gerador do
caos econômico brasileiro, confesso minha desilusão em não
ter conseguido, por deformação cultural de nossa elite intelectual,
econômica e política, em não acreditar ser a disciplina
fiscal de uma família, ou de uma Nação, a base fundamental
de tudo na vida, sendo sua consciência o primeiro passo para resoluções
e soluções para todas as mazelas de uma Nação,
ou das famílias. Em vista do exposto todos as criticas, daqui por diante
colocadas, sempre me socorrerei à diversos pensadores da história
da humanidade, evidenciando que ainda devemos tentar, até nosso último
sinal de vida, mudar o eixo dos debates para parâmetros mais consistentes,
saindo da nossa eterna mesmice dos debates sobre as conseqüências,
em detrimento do debate maior sobre suas causas culturais e históricas,
abandonando nossa mania de transferirmos todas as culpas para outras Nações
pelo nosso maldito destino. Vejamos abaixo breve resumo das reflexões
dos principais pensadores e filósofos da humanidade com relação
aos números, medidas e controles, temas secundário em nossa
formação cultural, desde de nossa origem, gerando uma Nação
onde ninguém necessita prestar contas à ninguém, sobre
coisa alguma.
Os grandes pensadores e criadores
da ciência moderna, Kepler, Galileu e Newton interpretavam a inteligibilidade
matemática do cosmo num sentido teológico (como seus contemporâneos
Descartes e, sobretudo, Malebranche). Deus criou o mundo segundo leis matemáticas
colocando em nosso espírito "ciências de verdade" (Descartes),
apenas temos de desenvolver para compreendê-lo. Kepler, entusiasmado
com sua descoberta da trajetória elíptica dos planetas, exprime,
numa bela página dos seus Cinco Livros sobre a Harmonia do Mundo, sua
gratidão a Deus: "Agradeço-te, Criador e Senhor, por me
teres regozijado o espírito com o espetáculo de tua obra".
Leibniz admirava profundamente a extrema simplicidade das leis do universo,
em que o máximo de efeitos realizou-se com o mínimo de meios.
"O mundo", dizia, "originou-se dos cálculos de Deus".
Já Platão invocava um Deus que "sempre geometriza".
Na Bíblia, o Livro da Sabedoria (XI, 20) ensina-nos que "Deus
tudo regulou com medida e com número".
Vejamos na prática
como funciona nossa lógica deformada de brasileiro, sem base cultural
na convicção matemática. Peguemos exemplo recente do
projeto "Caça Bandidos" do governador Mário Covas.
Vamos transformar seu projeto em números, considerando as premissas
colocadas pelo governo do Estado de São Paulo:
- Total de criminosos procurados110.000, não considerando criminosos
foragidos com foro privilegiado, detentores de cargos vinculados ao poder
público, tais como: Prefeitos, Deputados, Governadores, Vereadores,
Juizes, Delegados, etc.
- Prêmio por cada foragido preso R$ 50.000,00.
- Custo per capita com gastos administrativos, pessoal, manutenção,
alimentação, alojamento, etc, em torno de R$ 1.800,00 mensais.
- Custo do metro quadrado de construção no Estado de São
Paulo de R$ 362,04, segundo anuário estatístico do IBGE , base
1997, página 6-59.
- Para facilitar vamos considerar que todas as obras de construções
dos presídios seriam em terrenos de propriedade do Estado, ou dos Municípios
paulistas.
- Dentro das técnicas de engenharia e de segurança um presídio
moderno deveria ter sua capacidade limitada, em torno de 300 internos, demandando
uma média de construção em torno de 10 metros quadrados
de área útil per capita, incluindo refeitório, alojamento,
administração, etc. Assim sendo, cada presídio teria
uma área construída em torno de 3.000 metros quadrados. Como
haveria necessidade de construção de 367 novos presídios
para atender à nova demanda dos 110.000 foragidos, o projeto de área
construída total seria de 1.101.000 metros quadrados de construção.
- Cabe acrescentar que em nossos cálculos não vamos considerar
a necessidade de construções de novos presídios para
atender à demanda da superpopulação dos presídios
e delegacias, já existente.
Quadro Demonstrativo dos Custos Para Captura e Manutenção
dos Presos Foragidos
| Itens de Custos | Valores Em R$ |
| Custo com Prêmios de Captura - 110.000 x R$ 50.000,00 |
5.500.000,00
|
| Custo com a Construção dos Presídios 1.101.000,00 x R$ 362,04 |
398.606.000,00
|
| Total de Custo Incorrido Apenas Uma Vez |
404.106.000,00
|
| Acréscimo de Custo Corrente Mensal - 110.000,00 x R$ 1.800,00 |
198.000.000,00
|
Como queríamos
demonstrar, caso o projeto anterior de cobrança de R$ 2,50 por conta
telefônica tivesse vingado, somado ao projeto em pauta do Governador
Mário Covas, haveria necessidade de cobrar, pasmem!!! 161.642.400.(cento
e sessenta e um milhões, seiscentos e quarenta e dois mil e quatrocentas)
contas telefônicas para implementação do projeto, e mais,
um acréscimo mensal definitivo de 79.200.000 (setenta e nove milhões
e duzentos mil) contas telefônicas. Provando ser um projeto de lance
demagógico, baseado apenas na convicção e na certeza
de que, jamais haverá alguém com prestigio, formação
independente e com espaços democrático para questionar sua inviabilidade.
Infelizmente, minha experiência mostra que mesmo dentro dos grupos mais
grandiosos de luta, com participação de brasileiros altivos,
patriotas, honestos e dignos, ainda há muita dificuldade nas colocações
em bases numéricas, matemáticas e racionais, sempre considerado
como um assunto chato.
Meus amigos e irmãos, imaginem meu sofrimento e angustia ao saber que,
com base em meus modestos conhecimentos profissionais sobre economia e, principalmente
contas públicas, tendo colocado mensalmente um relatório demonstrando
a falência total do Brasil provocada pelo Cavaleiro do Apocalipse (FHC),
e ainda não tenha conseguido sensibilizar meus companheiros de luta
comum de que não devíamos mais estarmos escrevendo ou criticando
o referido senhor (acendendo velas para defunto errado), mas sim, acreditarmos
que racionalmente falando deveríamos estar refletindo sobre como iremos
retirar nosso querido Brasil deste atual atoleiro. Quem dentre nós
imaginar que será fácil o projeto de reconstrução
de nosso país está totalmente enganado, afirmo com total convicção
que o sofrimento e dor do acerto será muito maior do que, o já
instalado e conhecido
Alguém ainda teria algum fundamento, teórico ou prático,
para acreditar que um país sem Constituição como é
o nosso, onde é mais fácil conseguir sua alteração,
quase que diariamente, do que a alteração de uma simples Lei
Ordinária ou, num grupo de poder que é capaz de debater valores
e indicadores econômicos, tais como do salário mínimo,
salários de servidores, sem mesmo ter o Orçamento para o ano
aprovado. Com todo respeito ao meu querido país, mas não posso
me furtar em ser sincero, me sinto vivendo num acampamento de refugiado, jamais
em uma Nação Soberana.
Florianópolis, 05 de Maio de 2000 Ricardo Bergamini