O manicômio tributário no Brasil
“O
maior inimigo da Nação Brasileira é o Estado Brasileiro”. (Ricardo Bergamini)
De longa data o Brasil abandonou as teses, leis e axiomas macroeconômicos em sua gestão de “Estado”, gerindo suas atividades apenas na visão de “Tesouraria”. Porém creio que caberia lembrar como ainda funcionam nos países normais.
Os impostos têm duas funções básicas,
quais sejam: obtenção de recursos para manutenção das funções inerentes do
aparelho de “Estado”, e a mais importante, promover a redistribuição de renda.
Os impostos são divididos em três grandes
tópicos:
1) Tributários – São conhecidos como
impostos qualitativos, ou seja: atingem apenas a renda e o lucro. Exemplos: IR
na Fonte, IR Pessoa Jurídica, IR Pessoa Física, etc. Cabe lembrar que este
tributo é calculado sobre o lucro ou a renda real, após deflacionar a inflação
do período de apuração. “É
um imposto conhecido como socialmente justo”.
2) Contribuições – São conhecidos como impostos quantitativos, ou seja: atingem todos os habitantes de forma linear. Exemplos: Cofins, CPMF, Previdência, etc. Cabe lembrar que esses impostos incidem sobre a inflação. Quanto maior a inflação, maior será a arrecadação. Além de alimentar a própria inflação. “É um imposto conhecido como socialmente injusto”.
3) Capitais – Alienação de bens,
Dividendos, Juros, etc.
Nota: A soma das “Receitas Tributárias”
com as “Receitas de Contribuições” é denominada de “Receitas Correntes”.
Vejamos o que ocorreu no “Brasil da Tesouraria”
no período de janeiro de 95 até novembro de 2002:
a) “Receitas Tributárias” - Foram
arrecadados um montante de R$ 570,6 bilhões, representando 33,05% do total das
“Receitas Correntes” de R$ 1.726,6 bilhões.
b) “Receitas de Contribuições” – Foram
arrecadados um montante R$ 1.156,0 bilhões, representando 66,95% das “Receitas
Correntes” de R$ 1.726,6 bilhões.
c) “Receitas de Capitais” - Foram
arrecadados um montante de R$ 249,9 bilhões.
Como não poderia deixar de ser, nos países
normais a relação é totalmente inversa ao do Brasil, ou seja: em média 80%
da arrecadação são de “Impostos Tributários” e 20% de “Contribuições”. É obvio
e ululante. Cabe lembrar que na década de 70 era essa a relação do Brasil.
Para finalizar vou repetir abaixo o que
já tive oportunidade de dizer pessoalmente, aqui em Florianópolis, ao
ex-Deputado Federal e atual governador do Rio Grande do Sul Germano Rigotto,
quando de sua peregrinação pelo Brasil com a sua proposta de “Reforma
Tributária”:
No Brasil continuaremos por um longo
período apenas com a masturbação mental do tema de “Reforma Tributária” por
três motivos:
- Não interessa ao “Estado Brasileiro” e
seus membros.
- Não há como propor “Reforma Tributária
(Receitas)”, sem antes debater “Reforma Fiscal (Despesas)”.
- Somente será feita no dia do
esgotamento, apodrecimento e falência total do atual modelo do “Estado
Brasileiro”. E será feita da forma como os países normais fizeram as suas, qual
seja: fixando tetos de tributos na “Constituição”: para a União, Estados e
Municípios.
“O resto é debate
de bêbados em final de festa”
NOTA: Estudo completo ler “Prestação de Contas do Governo FHC” disponível em nosso sítio abaixo mencionado
O
autor é Professor de Economia. rberga@tutopia.com.br
www.angelfire.com/sc3/ricardobergamini