CLINTON CONFIRMA MAIORIDADE DO BRASIL E CORTA MESADA
No último
dia 21 realizou-se em Florença, na Itália, a conferência
da "Progressive Governance for the 21st Century, conhecida como "Terceira
Via", com a participação dos Presidentes dos Estados Unidos,
Bill Clinton, Primeiro Ministro Britânico, Tony Blair, Primeiro Ministro
da França, Lionel Jospin, Chanceler alemão, Gerhard Schoeder,
Primeiro Ministro da Itália, Massimo DAlema e o FHC.
Coube ao FHC, autêntico exemplar do burocrata brasileiro, sempre transferindo
sua responsabilidade para outros, transformado em estadista pelos bajuladores
da corte, fazer a primeira colocação da reunião, propondo
regular o fluxo internacional de capitais, principalmente o de curto prazo,
citando o exemplo do Brasil, segundo FHC, o País perdeu US$ 20,0 bilhões
no mês de setembro/98, por causa da fuga de capitais provocada pelo
pânico dos investidores após a crise da Rússia. O objetivo
da medida seria evitar que a crise de um país atinja outros por contágio.
Senhores, leiam com atenção alguns trechos das respostas agressivas
colocadas por Clinton sobre a bobagem proposta por FHC, já desmentida
por Pedro Malan, por ser justificativa apenas para uso do público interno,
na grande maioria ignorante. Vejamos os principais trechos do discurso de
Clinton:
"Adoção de políticas econômicas domésticas
adequadas é que dá segurança aos países e mantêm
a confiança aos investidores".
"Considerou natural que os investidores tirem os seus recursos dos países
onde não haja mais confiança". Segundo ele, ninguém
vai colocar dinheiro onde não pode fazer dinheiro".
"Os países precisam controlar suas políticas econômicas
e ajustar as suas contas".
" A velha e a nova esquerda têm de aceitar a realidade de que é
preciso ter disciplina fiscal".
"Citou o exemplo de Uganda para mostrar que uma política econômica
adequada pode fazer milagres, crescendo a base 5% ao ano".
"Não é admissível que recursos de empréstimo
para alguns países sumam por causa da corrupção.
Cabe relembrar trechos do anexo encaminhado juntamente com o Relatório
- Prestação de Contas Governo FHC - Base Junho/99, divulgado
em 19.08.99:
O economista-chefe do banco ING Barings, Arturo Porzecanski, recomendou
ontem a venda de títulos da dívida externa do Brasil e a compra
de papéis do México. Acabou a lua-de-mel com o Brasil e com
o presidente do Banco Central, Armínio Fraga", disse Porzecanski.
Disse ele, "terminou o prazo em que o Brasil podia baixar juros sem
pressionar a moeda, desvalorizar a moeda sem pressionar a inflação,
ou impor medidas de austeridade sem conseqüências recessivas"
Segundo ele, sua percepção negativa em relação
ao Brasil decorre, não só pelo pouco interesse do Congresso
quanto ao ajuste fiscal, mas também da inapetência do presidente
FHC para o exercício da liderança que a realidade exige.
O problema não é só do Congresso, mas também
do Executivo. Falta uma visão coerente e com rumo na ação
do Executivo; o governo joga na defensiva e a questão não é
se vai fazer concessões, mas quantas fará".
Também devemos relembrar algumas colocações contidas
em meu artigo a Crise Cambial Brasileira, divulgado em 03.11.99:
Com certeza, um Presidente Estadista, que entendesse o que está
se passando no mundo, já teria trazido a questão para o seu
comando único, com a formação de um gabinete especial
com especialistas em economia internacional, para colaborar na condução
dessa mudança mundial dos padrões e valores das relações
econômicas, financeiras, monetárias e cambiais, as quais iremos
passar nos próximos anos.
A exportação de problemas nacionais, nos países desenvolvidos,
é uma forma clássica de comportamento internacional. Votos estrangeiros
não contam em eleições nacionais. Os custos políticos
de providências internas que poderiam resolver um problema de desemprego,
um problema de inflação, ou um problema de indústria
deprimida, normalmente, são mais altos que os custos políticos
da exportação do problema. Assim o resto do mundo subdesenvolvido
se transforma em escoadouro de problemas internos dos países desenvolvidos.
É comum nos dias de hoje o uso constante do termo (ataque a moeda),
mas poucos saberiam explicar seu processo, cabendo breve análise sobre
o tema. Ataque ocorre contra qualquer moeda existente no mundo, bastando os
analistas internacionais encontrem contradições entre, os indicadores
econômicos ruins de um país, e o discurso político interno,
de que tudo está sob controle, sem tomada de decisões para correções
dos rumos. Analistas no mundo inteiro lêem apenas balanços dos
países, malgrado em muitos países as decisões são
políticas e não técnicas, já que políticos
somente sabem ver pesquisas, independentemente, da gravidade do momento econômico
do seu país. Em economia internacional, como as ações
são exógenas, não bastam decisões com medidas
certas, têm que serem medidas certas, no momento certo. Os governantes
deveriam aprender que suas justificativas dadas para seu público externo,
não poderão ser as mesmas bobagens ditas para seu público
interno. Praticamente foi o que Clinton quis dizer ao burocrata FHC. Posteriormente,
Pedro Malan, tentou amenizar o problema.
Como regra geral, quanto mais poderosa a burocracia, menor o campo de ação
para decisões orientadas para o mercado. A burocracia afeta as decisões
de várias maneiras, pelo controle de credito, imposto, obras, investimentos,
importação, etc. É evidente que movimentos para uma economia
mais aberta tenderão a enfraquecer o controle burocrático e,
assim, ameaçam o futuro da burocracia.
O pior que pode acontecer é uma nação enfrentar uma crise
internacional (ajustes) sendo um "FALIDO ÓTIMO" ou seja,
enfrentar ataques em sua moeda dependendo de recursos externos. "FALIDO
ÓTIMO" vive obtendo empréstimos. Primeiro, toma emprestado
o máximo que pode aos prestamistas de baixo custo e, quando essa fonte
esgota ele toma emprestado o máximo possível aos prestamistas
de alto custo. Usa esses fundos dos novos empréstimos para pagar as
despesas de juros e amortizações sobre os empréstimos
pendentes. A única razão porque deseja servir a dívida
é para proteger sua classificação de crédito,
para obtenção de novos créditos.
Nos países com o perfil acima as explicações das
autoridades monetárias serão sempre evasivas e inúteis,
visto não terem como explicar sua incompetência total em economia
internacional, usando as desculpas de sempre, fatores externos nos levaram
à essa situação, citando um rosário de países
culpados. Justificativa não aceita pelo governo americano na reunião
em pauta.
Na minha opinião pela primeira vez um governante americano teve a coragem
de dizer diante de um presidente brasileiro o que merecia ouvir, encerrando
definitivamente nossa postura de eternos adolescentes, empurrando todas as
culpas de nossos problemas para os outros, e para o futuro Acabou nossa fase
de ficarmos "Deitados Eternamente em Berço Esplendido".
Os brasileiros de fé, e o mundo, estão esgotados de nossa lixeira
política. Acabou o prazo, o recado é o seguinte: Como FHC vai
explicar a destruição de nosso balanço de pagamentos,
em quatro anos e nove meses, com um rombo de US$ 254,7 bilhões, não
considerando fontes de financiamento de recursos? Existem duas alternativas
para FHC: a) obter empréstimo de emergência com seu ídolo
e amigo Fidel Castro; ou b) iniciar PLANO de FUGA.
Prezados leitores e amigos, cada dia que passa estou mais convicto da exclusão
do contexto mundial de Nações cujas administrações
ainda sejam baseadas em patotas, falanges, fisiologismo e corporativismo.
Como uma luta entre gatos e ratos, escondendo da sociedade seus verdadeiros
problemas, ou os empurrando para o futuro. Queiramos ou não, concordemos
ou não, os preceitos de Max Weber serão a forma de administração
no terceiro milênio Como disse o Presidente Clinton, "a velha
ou a nova esquerda terão que ter disciplina fiscal", acrescentaria
não ser condição apenas para as ideologias de esquerda,
mas para qualquer ideologia política, terão que se enquadrar
nos fundamentos da matemática. Não haverá mais espaços,
no mundo, para políticas de orgias econômicas ou mágicas.
Assim sendo, cabe reeditar um resumo da visão dos maiores pensadores
da história da humanidade, e até da Bíblia, que deveriam
constar de qualquer programa de governo, ou de partidos políticos,
inclusive da constituição.
Grandes criadores da ciência moderna tais como, Kepler, Galileu e
Newton interpretavam a inteligibilidade matemática do cosmo num sentido
teológico (como seus contemporâneos Descartes e, sobretudo, (Malebranche).
Deus criou o mundo com leis matemáticas colocando em nosso espírito
"ciências de verdade" (Descartes) que nós apenas temos
de desenvolver para compreendê-lo. Kepler, entusiasmado com sua descoberta
da trajetória elíptica dos planetas, exprime, numa bela página
dos seus Cinco Livros sobre a Harmonia do Mundo, sua gratidão a Deus:
"Agradeço-te, Criador e Senhor, por me teres regozijado o espírito
com o espetáculo de tua obra". Leibniz admirava profundamente
a extrema simplicidade das leis do universo, em que o máximo de efeitos
realizou-se com o mínimo de meios. "O mundo", dizia, "originou-se
dos cálculos de Deus". Já Platão invocava um Deus
que "sempre geometriza". Na Bíblia, o Livro da Sabedoria
(XI, 20) ensina-nos que "Deus tudo regulou com medida e com número".
Florianópolis, 24 de novembro de 1999
Ricardo Bergamini