O PODER DO "PODER PÚBLICO NO BRASIL"-PARTE 1
Prezados leitores,
mensalmente ao divulgar meu relatório intitulado "Prestação
de Contas do Governo FHC", em que haja comentários sobre servidores
do Poder Público, é comum receber diversas manifestações
de indignação de alguns leitores, prontamente perdoados, visto
total desconhecimento macroeconômico sobre o assunto, haja vista que
85% do povo brasileiro recebem informações, apenas via analfabetos
do tipo "Ratinho", diga-se de passagem altamente prestigiado
na corte.
Em vista do exposto resolvi preparar
estudo especial sobre o tema, na certeza que, após conhecimento técnico
do assunto, a minoria raivosa com meus textos, especialmente servidores públicos,
na grande maioria honesta, digna, trabalhadora e dedicada, porém contaminadas
por grupos fisiológico e corporativo de apadrinhados políticos.
Da mesma forma que em economia a moeda má expulsa a boa, no serviço
público ocorre algo parecido ou seja, o funcionário pára-quedista
expulsa o bom.
Confesso não saber dizer
dia, mês ou ano da mudança, porém em algum momento da
vida política brasileira haverá uma ruptura radical nesse campo,
com a colaboração dos próprios funcionários públicos
do bem, imprescindíveis para a mudança, ou seremos definitivamente
um país, não mais de primeiro, segundo ou terceiro mundo, mas
sim, de outro mundo, apenas uma "Pegadinha", nesse momento
a barbárie estará instalada pelo esgotamento e exaustão,
já perceptíveis, da capacidade das atividades privadas manterem
infinitamente privilégios criminosos para uma minoria corrupta e perdulária
encastelada nos porões do poder. O momento está mais próximo
do que se possa imaginar, visto que nossa fadiga econômica é
muito latente.
Periodicamente desenvolverei estudos resumidos, abordando o vasto tema, para
que os leitores reflitam com calma sobre os assuntos colocados, um dos mais
difíceis.
Quadro Demonstrativo I Despesas com Pessoal da União, Civis
e Militares Fonte SEAP Base R$ bilhões. Considerando
1987 base 100
| Ano | Ativos | Índice | Inativos | Índice | Outros | Total | Índice |
| 1987 |
12,5
|
100,0
|
4,6
|
100,0
|
2,6
|
19,7
|
100,0
|
| 1988 |
16,0
|
128,0
|
5,7
|
123,9
|
2,5
|
24,2
|
122,8
|
| 1989 |
19,6
|
156,8
|
6,8
|
147,8
|
3,4
|
29,8
|
151,3
|
| 1990 |
23,2
|
185,6
|
8,8
|
191,3
|
2,4
|
34,4
|
174,7
|
| 1991 |
19,7
|
157,6
|
6,8
|
147,8
|
1,8
|
28,3
|
143,6
|
| 1992 |
15,4
|
123,2
|
6,2
|
134,8
|
1,4
|
23,0
|
121,0
|
| (1) |
17,7
|
141,6
|
6,5
|
141,3
|
2,4
|
26,6
|
135,0
|
| 1993 |
17,4
|
139,2
|
11,8
|
256,5
|
1,9
|
31,1
|
157,9
|
| 1994 |
19,3
|
154,4
|
14,7
|
319,6
|
1,8
|
35,8
|
181,7
|
| 1995 |
25,6
|
204,8
|
18,2
|
395,6
|
2,8
|
46,6
|
236,5
|
| 1996 |
24,7
|
197,6
|
18,3
|
397,8
|
2,3
|
45,3
|
229,9
|
| 1997 |
24,7
|
197,6
|
18,8
|
408,7
|
1,1
|
44,6
|
226,4
|
| 1998 |
24,7
|
197,6
|
20,5
|
445,6
|
2,8
|
48,0
|
243,7
|
| 1999 |
25,7
|
205,6
|
24,0
|
521,7
|
2,6
|
52,3
|
265,5
|
| (2) |
23,2
|
185,6
|
18,0
|
391,3
|
2,2
|
43,4
|
220,3
|
| (3) |
131,1
|
131,1
|
276,9
|
276,9
|
91,7
|
163,2
|
163,2
|
Notas: (1) Médias do período de 1987 à 1992; (2) Médias do período de 1993 à 1999; (3) Variação entre as médias dos períodos analisados (2)/(1), considerando (1) base 100
CONSIDERAÇÕES SOBRE O QUADRO DEMONSTRATIVO I
- Em primeiro lugar
devo fazer duas colocações: a) Ano de 1999, valores previstos;
b) Todas as moedas existentes no período estudado foram equalizadas
para base ano 94 do real, expurgando efeitos inflacionário anteriores
à base 94, tendo sido utilizado o IGP-DI/FGV
- Analisando o quadro acima salta
aos olhos o crescimento dos gastos com pessoal da união em 165,5% (índice265,5)
no período, sendo 105,6% (índice205,6) com ativos e, pasmem
senhores leitores 421,7% (índice521,7) com inativos, todos com base
100 em 1987.
- Observem na linha constante da média do período 87/92 nota
(1) a coerência entre a variação de crescimento de gastos
com servidores ativos em 41,6% (índice141,6), e dos inativos em 41,3%
(índice141,3), sendo no total uma variação factível
de 35% (índice135,0) no período. Fato normal, visto que os salários
dos servidores públicos, ativos ou inativos, seguem as mesmas regras,
como se na ativa estivessem, bem como seus salários são os mesmos,
na atividade ou na inatividade. Espero ter ficado bem claro que a simples
movimentação da atividade para a inatividade não poderia
gerar acréscimos dos gastos totais com pessoal. Outra observação
na mesma linha da nota (1) seria quanto aos gastos anuais médios de
R$ 17,7 bilhões com ativos (73,1%) e, R$ 6,5 bilhões com inativos
(26,9%). Uma relação de 2,72
- Agora observem na linha constante da média do período 93/99
nota (2) a incoerência entre a variação de gastos com
servidores ativos em 85,6% (índice185,6) e, inativos em 291,3% (índice391,3),
usando a mesma base 100 de 87. Outra observação gritante dentro
da mesma linha da nota (2) seria quanto aos gastos anuais médios de
R$ 23,2 bilhões com ativos (56,3%) e, R$ 18,0 bilhões com inativos
(43,7%). Uma relação de 1,29.
- Já na linha constante da relação entre as médias
87/92 e a 93/99 nota (3) fica patente o escândalo, quando verificamos
crescimento dos gastos médios com ativos serem de 31,1%(índice131,1)
e inativos de 176,9%(índice276,9), comparando o período 93/99,
em relação ao período 87/92. Não haveria nenhuma
explicação atuarial ou técnica sobre tal distorção
visto que, se houvesse apenas passagens de ativos para inatividade, o volume
de gastos totais não se alteraria. Então como explicar o vultoso
acréscimo da média de gastos com inativos, saindo de R$ 6,5
bilhões no período de 87/92 para, R$ 18,0 bilhões no
período de 93/99 ?
Acredito que quaisquer dos leitores, mesmo com um nível médio
de conhecimento da matéria, caso reflitam sobre o que estou comprovando,
não teriam dúvidas, como não as tenho, de haver irregularidade
nas concessões ocorridas a partir de 1993, com prováveis aposentadorias,
em algum Trem-da-Alegria no período 93/99, de pessoas apadrinhadas
que jamais foram funcionários do governo federal, ou com altos salários
irregulares.
Para finalizar, rogo à Deus encontrar dentre os destinatários
deste texto, algum grupo político, sindical, jornalístico ou
do Ministério Público, com coragem em acreditar no ilustre desconhecido
deste trabalho, patrocinando uma auditoria nas contas entre 1993 e 1999. Tenho
certeza absoluta, com base no quadro acima, seriam encontradas diversas irregularidade
nas concessões, de aposentadorias e/ou pensões, algo parecido
com R$ 9,0 bilhões ao ano.
Florianópolis, 26 de dezembro de 1999