CAPITALISMO: TODOS DEFENDEM, POUCOS CONHECEM
Por que o Brasil
não é um país de fundamentos Capitalista?
Não pretendo com esse artigo
esgotar todos os fundamentos técnicos e ideológicos sobre o
assunto, porém desejo que seja um ponto de referência mínima
para início de reflexão e de entendimento, sem dúvida,
muito mais complexo e difícil.
Se desejarmos, efetivamente,
construir uma nação capitalista (na essência da palavra),
temos que conhecer e combater seu principal inimigo: a ociosidade.
A base fundamental do capitalismo
está alicerçada em - trabalho e crescimento -, ou seja,
vigilância diária, e luta constante, para eliminação
de fatores de produção ociosos (mão de obra, terra e
capital), sendo, dentre muitos outros, seu principal instrumento de combate,
a justiça de sua política tributária, não na visão
paternalista e demagógica do social, mas sim, como credo de ser o único,
e exclusivo, combustível para manutenção do sistema.
Quais os seus instrumentos tributários básicos, não
utilizados no Brasil?
Altas tributações das terras improdutivas Inviabilizando
quaisquer possibilidades de utilização da terra como reserva
de valor, forçando, via tributação, seu uso exclusivo
para fins produtivos. Consequentemente, de forma lógica, pacífica
e natural, promovendo sua distribuição. Nenhum país do
mundo, de fé capitalista, promoveu sua distribuição de
terra por mecanismos políticos, através da criação,
a exemplo do Brasil, de um inútil Ministério da Reforma Agrária,
gerador natural de corrupção e conflitos.
Altas tributações das heranças pessoais Impossibilitando
a formação de contigentes de inúteis parasitas econômicos,
acumulando e estocando, de forma infinita, riquezas e rendas, com crescimento
em progressão geométrica, sem terem jamais produzido coisa alguma
em suas vidas. À primeira vista, para um indivíduo leigo no
assunto, parece como algo injusto e arbitrário, porém no conceito
capitalista, sem tal ordenamento econômica, os grupos de poder econômico
serão eternos, e o pior, únicos representantes do próprio
poder político, sendo sua maior distorção, a eliminação
da sadia seleção natural por méritos de eficiência,
e sua conseqüente possibilidade de alternância de troca de mãos
do poder econômico.
Altas tributações das pessoas físicas Inviabilizando
quaisquer possibilidades de que acionistas façam grandes retiradas
das suas empresas, objetivando pagamentos menores de imposto de renda, transformando
o país com um perfil decadente de "empresas falidas de empresários
ricos". Cabe acrescentar não ser culpa dos mesmos, mas sim, do
manicômio da legislação tributária brasileira,
onde na retirada como pessoa física é tributado em 27,5%, se
deixarem os recursos na empresa transformarem-se em lucro, o tributo migrará
para 55%. Ninguém espera que nosso país tenha empresários
cretinos, imbecis e débeis mentais, que não façam tal
planejamento tributário legal (anti-capitalismo) em suas empresas.
Baixas tributações das pessoas jurídicas - Agindo
em sentido contrário ao descrito no parágrafo acima, incentivando
os empresários à reinvestirem em seus negócios, bem como
eliminando a irracional, injusta e imoral carga tributária, hoje incidentes
sobre a produção, onde na ponta final de consumo, todos, sem
distinção de renda, ou posição social, pagam as
mesmas alíquotas de impostos, já rateadas nos preços
de produção No conceito capitalista o tributo deverá
incidir na ponta do consumo, de forma progressiva e seletiva, ou seja, baixas
ou nulas tributações em produtos de primeira necessidade de
consumo popular, e altas, para produtos de consumo elitista e supérfluo.
Qual a única unanimidade universal no campo do conhecimento da economia?
Investimento = Poupança A única e exclusiva possibilidade
de uma nação promover o seu desenvolvimento é através
da poupança própria. E o Brasil, na sua condição
de doente terminal no campo econômico, insiste em contrariar um conceito
universal e unanime. Com uma poupança global de 17% do PIB, e dívida
interna líquida de 64% do PIB, cinicamente vendendo aos incautos uma
ilusão de possibilidade de crescimento econômico.
No grave e triste momento da vida brasileira, empobrecida, não só
de recursos pecuniários, mas também de homens. Quando de forma
covarde temos aceitado passivamente entregar nosso sagrado destino como povo
e nação ao comando de técnicos medíocres, tesoureiros
e burocratas, rogo a Deus que ilumine as mentes de meus amados e fraternos
amigos de luta, para refletirem sobre as palavras de Laberthonnière
(século XVIII), atualizadíssima para os nossos dias atuais:
"A técnica só fornece meios de ação ao
homem, ela emudece quanto aos fins que devem guiar nossa conduta. E mais do
que nunca sentimos a necessidade de uma sabedoria para nos esclarecer sobre
os fins que devemos procurar."
Para finalizar devo acrescentar ter plena convicção e consciência
de que, nossa incansável luta, por profundas deformações
culturais, têm muito pouco eco na vida política brasileira, haja
vista que, todos os nossos mestres e sábios no campo do conhecimento
econômico, sem exceção, da envergadura e cabedal de conhecimento,
saber, dignidade e patriotismo dos professores: Eugênio Gudin, Mário
Henrique Simonsen, Roberto de Oliveira Campos, participantes ativos de nossa
vida pública brasileira, encerraram suas atividades públicas
de forma triste, solitária, melancólica e desencantados, não
seria eu um medíocre discípulo dos referidos mestres, que haveria
de ter alguma pretensão de projetar um futuro diferente para o meu
destino maldito.
Para encerramos este artigo, nada mais coerente do que, divulgarmos um pequeno
trecho do discurso solitário, apenas 10 deputados na casa, do Deputado
Roberto de Oliveira Campos, em sua despedida da Câmara dos Deputados,
no dia 30.01.99, comprovando "A Falência do Estado Brasileiro".
Disse ele:
"Minha melancolia não provém de saudades antecipadas
de Brasília, cidade que considero um bazar de ilusões e uma
usina de deficits. A melancolia provém do reconhecimento do fracasso
de toda uma geração- a minha geração- em lançar
o Brasil numa trajetória de desenvolvimento sustentado. Continuamos
longe demais da riqueza atingível e perto demais da pobreza corrigível.
A melancolia vem também da constatação de nossa insuportável
"mesmice". Quando cheguei ao congresso, em 1983, os temas candentes
do momento eram a moratória e a recessão. Dezesseis anos depois,
quando me despeço, os temas são os mesmos."
Florianópolis, 28 de Agosto de 2000 Ricardo Bergamini