DEMOCRACIA: TODOS DEFENDEM, POUCOS CONHECEM
Por que o Brasil
não é um país democrático?
Por ter o voto obrigatório.
Voto é direito do cidadão, e não dever. Direito é
exercido por quem o desejar. No Brasil, apenas 5% da população,
acima de 10 anos de idade, possui mais de 15 anos de estudos, sendo o estudo
a base para o desenvolvimento da capacidade de análise crítica
do indivíduo, pelo menos 80% da população habilitada
à votar, são apenas massa de manobra, delegando sua decisão
de escolha aos meios de comunicação de massa. Sem dúvida,
o voto facultativo aumentaria a qualidade dos candidatos eleitos. Nos Estados
Unidos, apenas 50% da população qualificada para votar, exerce
esse direito para escolha de presidentes, 40% para governadores e 30% para
prefeitos, por isso, e somente por isso, é a maior e melhor democracia
do mundo.
Por não haver restrições
de acesso ao Congresso Nacional de partidos inexpressivos. Não
pregamos restrições à formação de partidos
políticos, nos EUA existem mais de 40 partidos políticos, pregamos
apenas fixação de índices eleitorais mínimos para
fazer-se representar no Congresso Nacional, evitando a vergonhosa situação
brasileira de 17 líderes partidários, naquela casa, alguns liderando
apenas 2 deputados.
Por não haver fidelidade
partidária. Em qualquer país democrático, o mandato
pertence ao partido, e não ao político. Com isso, evitaríamos
manipulações políticas, com trocas freqüentes de
partidos, gerando eternamente um Congresso Nacional vendedor de maiorias precárias
aos Presidentes da República, sejam eles quais forem.
Por não haver exigências
mais rígidas, quanto a figura jurídica do domicílio eleitoral.
Excluindo qualquer possibilidade de um candidato procurar, apenas na época
da eleições, uma região de índices eleitorais
mais favoráveis para ser candidato, evitando, por exemplo, o oportunismo
do Sr José Sarney, eleito para senador pelo Amapá, sem nenhum
vinculo com o Estado.
Por não respeitar o conceito universal da proporcionalidade.
Não podemos continuar admitindo que, o voto de um cidadão brasileiro
em uma determinada região do país, valha menos que em outra
região. Como é hoje.
Por não ser uma nação federativa. Não podemos
continuar com o modelo centralizador de decisões, bem como de arrecadação
de impostos, com posterior rateio aos Estados e Municípios. Modelo
altamente manipulador e corrupto Em uma verdadeira democracia os Estados deverão
ter autonomia para aprovarem, como exemplo extremo, a pena de morte.
Com a existência do "horário político gratuito"
Uma verdadeira aberração política, fria, repetitiva,
idiota, premiando apenas os melhores atores, sendo de alto custo de produção,
transformando eleições em assunto de marketing. Atualmente quem
concede entrevistas, não é mais o candidato, mas sim, o responsável
pela agência de propaganda do candidato. Diga-se de passagem o horário
não é gratuito, as empresas recebem benefícios fiscais
para cobrirem parte de seus prejuízos.
Sem voto distrital. O debate político tem que ser travado nos
municípios. Esse assunto está ligado à não existência
da República Federativa. Formação de delegados representativos
regionais, com capacidade de decisão de escolhas.
Com a existência da figura jurídica criminosa das Medidas
Provisórias, em um regime presidencialista de governo. Válida
apenas em regimes parlamentaristas de governo, com queda de Gabinete, sempre
que alguma delas fosse rejeitada pelo parlamento.
Sem possuirmos nossas Forças Armadas bem equipadas, altamente profissionalizadas
e bem treinadas. Imaginar ser o enfraquecimento de poder militar de uma
nação, sinônimo de fortalecimento democrático,
é visão boçal, imbecil, burra, demagógica e revanchista.
Haja vista o mundo: quanto maior o seu grau de liberdade, maior o seu poderio
militar.
Com o Banco Central subordinado ao Poder Executivo Nas verdadeiras democracias,
essa instituição está subordinada, indiretamente, ao
Congresso Nacional, através de uma legislação rigorosa,
com prazos de vigência dos mandatos de seus gestores rigorosamente definidos,
mandatos esses, totalmente descasados dos períodos de mandatos dos
políticos, bem como, com regras e atribuições funcionais,
morais e éticas rigorosas. Em nenhum país democrático
do planeta, o Banco Central, por questões óbvias e ululantes,
está subordinado ao Poder Executivo.
Com apenas 5% da população brasileira, acima de 10 anos de
idade, tendo 15 anos ou mais de estudos. Necessidade mínima de
aprendizado para que, um indivíduo consiga um grau de conhecimento
tal, capaz de promover sua capacidade de análise crítica. Somente
o voto livre aliviaria essa maldita distorção brasileira.
Com o nosso Poder Judiciário dependente financeiramente do Poder
Executivo. Sem a criação de mecanismo para geração
de fontes de recursos próprios, principalmente através de cobranças
de fianças e serviços em valores reais, relacionados aos montantes
das causas em questão, e não, com valores simbólicos
como tem sido até a presente data.
Sem quebrarmos a espinhal dorsal do "Poder do Poder Público no
Brasil". Em todos os níveis (federal, estadual, municipal).Agindo
sem limites e regras, concedendo privilégios à si próprios.
Sendo o maior exemplo a auto - anistia concedida pelo Congresso Nacional,
aos crimes eleitorais ocorridos nos anos de 1996/98. É uma imoralidade
sem precedentes na história política do mundo, dito democrático.
Com nossa Constituição atual (Livro de Ficção
Jurídica) de 1988. Somente concedendo direitos aos cidadãos,
sem nenhuma exigência de contrapartida dos deveres dos cidadãos
para com a sua Pátria. Um documento de ficção jurídica,
sendo mais fácil sua alteração, do que de uma simples
lei ordinária. E finalmente, gerando o maior desvio de nossa história
política, com a facilidade legal para criação de novos
municípios. Nos 12 anos de vigência, quase três mil, sem
nenhum compromisso com fonte de recursos próprios.
Florianópolis, 24 de Agosto de 2000 Ricardo Bergamini